Paulo Fernandes
Publicado originalmente em 12/07/2011

MÚSICA ELETRÔNICA
Datam do final do século XIX as primeiras manifestações no desenvolvimento de instrumentos musicais eletro-acústicos. O princípio teórico, utilizado até hoje, era a produção de diferentes freqüências sonoras por indução eletromagnética. Verdadeiros trombolhos, pesando algumas toneladas, esses bisavós dos sintetizadores eram pouco práticos e despertaram pouco interesse.
Após a 1ª Guerra Mundial foram surgindo outros equipamentos eletrônicos, dos quais quero citar dois: o Teremin, controlado pelos movimentos das mãos e posteriormente, na década de 1930, o órgão Hammond, equipamento que deixou sua sonoridade marcante no rock dos anos 1960.

Theremin tocando teremin
Outro ponto que pode parecer engraçado aos entusiastas da moderna música eletrônica, em suas várias correntes: techno, acid, trance, house, etc., é que ela começou como um movimento da música clássica (ou erudita). Um dos compositores pioneiros, e dos mais influentes, foi o francês Edgar Varèse.
Nas décadas de 1940 e 1950 surgiram duas grandes correntes musicais: na França, a Música Concreta e na Alemanha, a Elektronische Musik. O destaque dessa fase é o compositor Karlheinz Stockhausen, influência declarada de grandes nomes do rock, entre eles Frank Zappa.
O ROCK E A MÚSICA ELETRÔNICA
Na década de 1960, o rock começa a incorporar instrumentos eletrônicos como o órgão Hammond, que já era usado antes no jazz. Podemos ouvir seus sons em trabalhos de Bob Dylan, Beatles, Deep Purple, Uriah Heep, Emerson, Lake and Palmer e Roberto Carlos.
Novos equipamentos surgiram na década de 1960, com destaque especial para os sintetizadores desenvolvidos por Robert Moog, que ganham novos adeptos entre as bandas de rock.
O ROCK ALEMÃO E O KRAFTWERK
Entre o final dos 60 e início dos 70, no meio de várias bandas de rock, com forte uso de tecnologia eletrônica, surgidas na Alemanha: Tangerine Dream, Triumvirat, Can e Neu!, aparece o grupo que teria seu nome eternamente ligado à música eletrônica: o Kraftwerk.

Nascido em 1970 coube ao Kraftwerk fazer a ponte entre o progressivo eletrônico de influências clássicas da década de 1970 e o pop-rock dançante, do qual derivaram as diversas tendências da música eletrônica das décadas posteriores.
A base da música da banda sempre foram os sintetizadores. O reconhecimento e sucesso chegaram com o quarto álbum: “Autobahn” de 1974.
RÁDIO ATIVIDADE
Eu gosto muito de “Autobahn”, que inclusive é considerado o melhor disco do Kraftwerk pela crítica, mas o meu preferido é “Radio-Activity” (“Radio-Activität” em alemão), talvez por ter povoado meu imaginário adolescente em seu misto de mistério e encantamento nas noites que eu o ficava escutando numa cabine do Bazar Paulistinha, conforme já escrevi aqui no site.

É um disco conceitual que brinca com a ambigüidade de seu tema: a perigosa radioatividade e a atividade de transmissão via rádio. As econômicas letras são cantadas tanto em inglês, quanto em alemão.
FAIXAS
Lado A
1. Geiger Counter / Geigerzähler (Hütter, Schneider)
2. Radio-Activity / Radio-Activität (com Geiger Counter) (Hütter, Schneider, Schult)
3. Radioland / Radioland (Hütter, Schneider, Schult)
4. Airwaves / Ätherwellen (Hütter, Schneider, Schult)
5. Intermission / Sendepause (Hütter, Schneider)
6. News / Nachrichten (Hütter, Schneider)
Lado B
1. The Voice of Energy / Die Stimme der Energie (Hütter, Schneider, Schult)
2. Antenna / Antenne (Hütter, Schneider, Schult)
3. Radio Stars / Radio Sterne (Hütter, Schneider, Schult)
4. Uranium / Uran (Hütter, Schneider, Schult)
5. Transistor (Hütter, Schneider)
6. Ohm Sweet Ohm (Hütter, Schneider)
MÚSICAS
Agradecimentos ao músico Alex Antunes por algumas observações quanto ao texto
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