Messias Reis
Ao longo dos anos, muitas bandas mudaram seu estilo ou mesmo resolveram fazer um som que elas gostavam, não sendo o foco principal, para agradar ao público ou a suas gravadoras.
É interessante notar que a maioria das bandas, para não dizer todas, começa fazendo aquilo que gosta, talvez não com a intenção de ficar famosa, ganhar dinheiro e reconhecimento, mas sim pelo prazer de tocar. Com o tempo isso muda, e em algumas vezes muda muito.
Acredito que, no início, o intuito é: “se der dinheiro, deu”. Com o passar do tempo, o dinheiro começa a aparecer e com ele vêm os prazeres que essa vida regada a bebidas, sexo e drogas oferece.
Infelizmente, nessa fase, muitos artistas resolvem mudar o rumo, seja por vontade própria ou porque a gravadora impôs. Algumas demoram mais a chegar a esse ponto, outras nem tanto.
Outro dia, assistindo ao documentário do Rush, a gravadora dizia que se a banda não mudasse seu estilo estaria fadada ao fracasso. No entanto, o trio resolveu fazer o som que eles queriam, e não o que a gravadora queria. Resultado: sucesso total do álbum lançado.
Não queria citar nomes, mas apenas para ficar registrado, quero deixar meu descontentamento com a mudança de direção de alguns daqueles que eu gostava.
U2 teve uma mudança radical, a meu ver, tornando as músicas mais pop, agradando um público que antes não os ouvia. O preço disso tudo foi perder alguns de seus fãs que não gostaram nada dessa mudança.
Rush também teve sua fase “tecladista”, o que não agradou em nada seus fiéis seguidores da época dos primórdios. O fato é que Geddy Lee arrasava no baixo e de repente ele o deixou de lado. Para nossa alegria, ele retornou no álbum seguinte com o bom e velho baixo. Não abandonou de vez os teclados, mas conseguiu manter um equilíbrio entre os dois.
Acho que muitos não irão concordar comigo, mas o Green Day ficou um pouco, digamos... melhor não dizer. Gostava tanto da época que eles começaram.
No Brasil, existem alguns exemplos de mudanças de rumo. É impressão minha ou o Zeca Baleiro perdeu aquela inspiração que ele tinha? Essa é umas das consequências globais. O Heavy Metal do Senhor virou samba de cerveja. Raimundo Fagner já sofreu desse mal global. Deixou suas raízes para ser popular e, quando quis voltar, já havia perdido muitos de seus seguidores.
Concordo que deve ser difícil optar quando se chega a um ponto no qual tem-se que escolher entre ganhar dinheiro ou fazer algo que você realmente acredita e gosta.
Pelo menos, em se tratando de rock, a maioria das bandas e artistas que conheço conseguiu manter uma linha ao longo dos anos. Aqueles que mudaram, e perceberam que fizeram bobagem, acabaram voltando. Também houve os que mudaram e ganharam dinheiro: muito, diga-se de passagem. Resta saber se eles são felizes tocando uma música que muitas vezes nem eles gostam.
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